Pesquisar

Carregando...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Biblioteca Dracônica - Guerras Secretas


Hoje estreia mais uma seção aqui no blog. Na Biblioteca Dracônica falarei sobre HQs que não devem faltar na coleção de um verdadeiro fã.

COMEÇA A GUERRA... DOS BRINQUEDOS!

Guerras Secretas é uma enorme saga dividida em 12 capítulos baseada no conflito entre dois grandes grupos de heróis e vilões, levados a um planeta distante por uma entidade cósmica chamada Beyonder. Beyonder os força a lutar entre si em troca da realização de seus maiores desejos.

Escrita por Jim Shooter e desenhada por Mike Zeck e Bob Layton a saga na verdade é uma grande jogada de marketing da Mattel.

Na intenção de concorrer com a Kenner (não confunda com a marca de chinelos daqui do Brasil) que licenciava os brinquedos dos heróis da DC, a Mattel deu a sugestão de uma saga envolvendo os heróis e vilões da Marvel.

É fato que toda grande linha de brinquedos precisa de uma história em quadrinhos ou desenho animado para vender melhor. Exemplos não faltam, a própria Mattel tinha He-Man e os Mestres do Universo, a Hasbro tinha os Transformers e os Comandos em Ação e assim por diante.

A trama então gira em torno de uma enorme guerra entre os personagens "do bem" contra os "do mal", exatamente como nas brincadeiras que fazíamos com nossos heróis de plástico.

PORRADA!

Como dito anteriormente, a trama de Guerras Secretas é baseada no conflito entre duas facções de seres super poderosos.

Do lado dos mocinhos temos Capitão América, Homem de Ferro (James Rhodes), Hulk, Senhor Fantástico, Coisa, Tocha Humana, Capitã Marvel, Vespa, Gavião Arqueiro, Mulher Hulk, Ciclope, Professor Xavier, Wolverine, Tempestade, Vampira, Noturno, Colossus e Magneto.

Do lado dos bandidos temos Doutor Destino, Galactus, Doutor Octopus, Kang, Ultron, Homem Absorvente, Encantor, Homem Molecular e a Gangue da Demolição.

Ambos os lados descobrem que foram trazidos a um planeta muito distante da Terra por uma entidade cósmica chamada Beyonder que os ordena que derrotem a facção inimiga, prometendo a realização dos desejos dos vencedores.

Logo de cara ocorrem conflitos internos em ambas as facções. No lado dos heróis o conflito começa pelo fato de Magneto estar com eles. Este, após muita discussão acaba abandonando o grupo e partindo como uma força independente, não aliado a ninguém. Eventualmente a desconfiança paira contra os demais X-Men, que acabam formando uma aliança com Magneto.

Já no lado dos vilões o conflito é de poder, cada qual querendo dominar os demais. Outro ponto de intriga é o surgimento de Galactus do lado dos vilões, já que ele, apesar de devorar mundos, não é necessariamente mau, apenas está em uma posição inconveniente da cadeia alimentar.

A trama vai se desenrolando ao longo de 12 capítulos, onde cada lado vai massacrando o outro em combates intensos que chegam a resultar em algumas mortes. A trama não é das mais inteligentes, pois como já foi dito, serve apenas como merchandising dos brinquedos.


Um fato curioso é que dentre os bonecos vendidos havia um do Demolidor, que NÃO participa da história.

Um ponto importante é que as Guerras Secretas servem de pontapé inicial para muita coisa importante no Universo Marvel, como a entrada temporária da Mulher Hulk no Quarteto Fantástico e principalmente o surgimento do uniforme alienígena do Homem-Aranha que anos depois originaria o vilão Venom.


NO BRASIL

A estratégia da Mattel sobre a venda dos brinquedos de Guerras Secretas dizia que a linha e as HQs deveriam ser publicadas simultaneamente em todos os países que publicassem HQs da Marvel.

O problema para nós brasileiros é que a cronologia publicada na época pela Editora Abril estava muito defasada em relação à americana.

A solução foi mutilar a história, cortando personagens ou omitindo eventos que não haviam acontecido ainda.

A personagem Capitã Marvel, por exemplo, ainda não havia aparecido nas HQs da Abril, por isso, o assistente de arte tinha que desenhar o Homem de Ferro por cima em todos os quadros em que ela aparecia e suas falas eram suprimidas.

A própria identidade do Homem de Ferro fora omitida, pois na época quem usava a armadura do Vingador Dourado era James Rhodes e não Tony Stark.

Outra mudança relevante foi em relação aos X-Men. Como Vampira ainda não fazia parte do grupo nas HQs nacionais ela também fora omitida. Além disso, na HQ era dito que o visual punk adotado por Tempestade na época era obra de Beyonder e não uma mudança comportamental sua.

Com o passar do tempo a cronologia Marvel foi andando e descobrimos esses fatos "novos", por isso, nas páginas da edição 119 de Capitão América a Abril lançou um "compacto" das Guerras Secretas mostrando os fatos que foram cortados - e nos fizeram engolir que as mudanças anteriores eram uma "realidade alternativa".

Por fim, anos depois a revista A Teia do Aranha trouxe a versão sem cortes da história, como ela deveria ter sido publicada.

Já os brinquedos foram trazidos pela Gulliver que lançou ao todo seis heróis (Homem Aranha, Capitão América, Demolidor, Homem de Ferro, Wolverine e Homem-Aranha com uniforme negro), quatro vilões (Doutor Destino, Kang, Magneto e Doutor Octopus), quatro veículos (Homem-Aranha, Capitão América, Dr. Destino e Kang), além do Super Castelo do Homem-Aranha (?!?!) e a Fortaleza do Doutor Destino.


CONCLUSÃO

Guerras Secretas não é uma saga espetacular. A trama tem seus bons momentos, mas no fim das contas serve apenas como um meio de juntar um bando de heróis e vilões em um lugar para sairem na porrada e venderem brinquedos no processo.

O próprio responsável pelas guerras, Beyonder, tem pouquíssima participação na história, aparecendo muito pouco como uma voz no além, sem dar as caras de fato.

Ainda assim, Guerras Secretas ainda rendeu uma continuação, desta vez sem tanto brilho como a anterior, mas consertando os furos no roteiro e contando a origem de Beyonder.

Um comentário: